É tautológico dizer que um texto de Clarice Lispector é magnífico, tanto que parei de comentar aqui cada um que eu leio. Mas esse é simplesmente o que eu tinha que ler há muito. É dispensável dizer que Clarice envolve nos seus textos todo um lado psicológico de seus personagens, e é justamente isso o que me faz ser fascinada por tudo que ela escreveu.
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Perdoando Deus" foi o conto que me fez entender muito mais toda essa minha dúvida sobre a fé na existência de um Deus. E principalmente o seguinte trecho:
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Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe."
E aí, em um monólogo interior, atravessa-me a dúvida que mais me respondeu que não é tão sem sentido esse meu questionamento sobre crenças.
Até que ponto a fé do homem em um DEUS é guiada por todas as provas que ele diz ter? Quando isso deixa de acontecer para que ele tenha fé em um DEUS apenas por causa da sua própria maldade racial, apenas para que seja perdoado por algo que nem ele se perdoa, ou até para dar algum sentido na vida que, ele, não enxerga sentido nenhum? E será que essa fé de certezas chega, realmente a existir?
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